Cuidado com os problemas respiratórios em recém-nascidos

Chegar ao mundo não é tão fácil quanto alguns imaginam. Os recém-nascidos passam por um período de adaptação e necessitam de cuidados especiais para evitar problemas de saúde. Aliás, essa época do ano, de ar mais seco e poluído, é campeã em provocar distúrbios respiratórios nas crianças, principalmente as que têm menos de um ano.
 
 
“Os recém nascidos necessitam se adequar ao ambiente. No outono, em centros urbanos como São Paulo, não chove e o ar fica carregado. Há alterações na temperatura que favorecem a propagação de vírus”, explica a dra. Renata Waksman, presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria.
 
Para diminuir os riscos de doenças respiratórias nesta fase, é preciso algumas precauções. De acordo com a dra. Renata, as pessoas em contato direto com o bebê devem lavar as mãos com freqüência. Isso porque o vírus impregna geralmente o ar e as mãos.  Outros cuidados importantes são manter a casa bem ventilada, higienizar bem a casa e evitar o contato com gente resfriada.
 
“Não podemos esquecer da importância do vírus da gripe, e lembrar que atualmente há recomendação da aplicação da vacina da gripe anualmente para todas as crianças entre 6 meses e 5 anos, além dos idosos, profissionais de saúde, e indivíduos com algumas doenças crônicas, como os portadores de doenças pulmonares crônicas, a exemplo da asma, a mais comum na faixa etária pediátrica” explica a dra. Marina Buarque de Almeida, Pneumologista Pediátrica da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).
 
Locais ventilados e banho de sol são aconselháveis. Quando o bebê chegar do hospital, momento comum de receber várias visitas, é bom evitar os excessos, pois a probabilidade de contaminação é grande. “O correto é passear em lugares abertos, livres. Nada de shopping center e lugares fechados. Muita gente, ar condicionado e barulho não são bons para os primeiros meses de vida do bebê. São muito frágeis e mais suscetíveis a doenças”, enfatiza.
 
As patologias que acometem os bebês nos primeiros meses de vida são inúmeras, desde resfriados até problemas mais graves, como a bronquiolite. Bebês pequenos devem ser observados com muito cuidado, se contraírem gripe ou resfriados, devem ser observados atentamente. Em caso de febre prolongada, prostração, diminuição da aceitação alimentar, cansaço às mamadas, falta de ar, gemência e mudança de cor da pele (palidez ou cor arroxeada), o pediatra deve ser imediatamente procurado.
 

“Neste período de outono e inverno há circulação de vários vírus que podem acometer as vias aéreas dos bebês e das crianças pequenas. Entretanto, o mesmo vírus que pode dar sintomas leves como coriza e espirros em crianças maiores de 2 anos ou adultos, em bebês pode causar quadros pulmonares de leves a graves, como é o caso da bronquiolite viral aguda, onde os bebês menores tem mais risco de evoluírem com insuficiência respiratória”, reforça dra. Marina Buarque.

O Dr. José Eduardo Delfini Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), alerta que os recém-nascidos têm as vias respiratórias estreitas e mais sensíveis. Os vírus presentes nos ambientes são os causadores de doenças respiratórias, como resfriados, gripes e asma. É bom não molhar o ouvido nem usar cotonete, só molhar a fralda com água morna e passar em volta para a limpeza.
 

“No primeiro ano de vida há uma maior incidência de problemas de ouvido, como a otite média aguda, que cursa com dor no ouvido, febre e irritabilidade da criança. Quando a primeira otite média ocorre nos primeiros seis meses de vida existe uma maior probabilidade de a criança desenvolver otites de repetição. Já a rinite do lactente ou rinite do recém-nascido é bastante freqüente e é caracterizada por coriza e obstrução nasal  – muitas vezes percebidas pelos pais como um barulhinho no nariz. Para minimizar os riscos, o leite materno, a posição da amamentação, a lavagem nasal com soro fisiológico e um ambiente adequado são essenciais”, comenta Daniela Thomé, otorrinolaringologista pela Universidade de São Paulo (USP).

 
FONTE: Revista Vigor

16/09/11, 10h25

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